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Quatro Princípios Sobre a Morte (Paul D. Tripp)

Eu moro na Filadélfia, a cidade do amor fraternal. Infelizmente, a Filadélfia não tem uma boa reputação pelo amor aos outros. Nossos fãs de esportes nem sempre nos dão um bom nome, mas eu acho que a nossa taxa de homicídios é bastante convincente.

Até agora, em 2014, o Departamento de Polícia da Filadélfia relatou 179 homicídios; são 179 assassinatos em 265 dias corridos. Na verdade, estamos celebrando esse número, porque é uma queda significativa de anos anteriores. Em 2012, tivemos 254 assassinatos no mesmo período, e em 2007, pudemos ver 299. Senhor venha depressa!

Sempre que leio a notícia de outro assassinato, eu tento pensar nas pessoas afetadas por essa tragédia. Seja ou não a vítima que estava envolvida em atividades ilegais ou um inocente, o filho de alguém, filha, irmão, irmã, marido, esposa, amigo ou vizinho teve a sua vida com um fim abrupto.

O que é ainda mais trágico é que a Filadélfia é apenas uma única cidade e assassinato é apenas uma pequena porcentagem da atividade fatal. Quantas famílias são afetadas diariamente por uma causa diferente de morte, e quantas cidades existem no mundo? A morte é constante, e a morte está em toda parte.

A MORTE E O EVANGELHO

Só porque você acredita em Jesus não o isenta da morte. Um dia, todos os cristãos vão experimentar a alegria da vida eterna, mas de antemão, cada cristão deve experimentar a dor da morte física. Você, em pessoa, vai morrer e você provavelmente vai experimentar a morte de vários amigos e familiares queridos. Além do mais, algumas dessas experiências serão tragicamente dolorosas; morte em um mundo caído raramente é pacífica.

Então, como os cristãos devem lidar com a morte? Aqui estão quatro princípios, derivados da Bíblia, que me ajudaram a pensar sobre essa experiência dolorosa.

1. Você não pode se preparar para a morte

Em muitos casos, a morte o pega completamente de surpresa. Tantas vidas são tragicamente terminadas sem aviso ou preparação. Tudo o que você precisa fazer é ver as notícias e contar quantos jovens foram atingidos por uma bala perdida ou um motorista bêbado.

Em alguns casos, você sabe que a morte está ao virar a esquina. Minha mãe estava morrendo em sua cama de hospital, e à medida que a cercávamos naqueles dias finais, sabíamos o que estava por acontecer. Mas quando ela deu seu último suspiro, eu não estava preparado emocionalmente. A mulher que me tinha educado se foi, e mesmo que meu cérebro pudesse compreender a ciência, a minha alma não estava pronta para a dor.

Não se sinta envergonhado ou culpado por luto, não importava qual a causa ou o quanto você sabia com antecedência. A Bíblia diz: “Os dias de uma pessoa são determinados; [Deus] decretou o número de seus meses e estabeleceu limites que ele não pode ultrapassar “(Jó 14: 5, NVI). Mas isso significa que é o papel de Deus escolher a vida e a morte, não o seu. Só Deus é verdadeiramente preparado para a morte; não há problema em chorar e lamentar.

2. A morte não era o plano

A morte não fazia parte da ideia original de Deus para a existência humana. A razão pela qual a morte parece tão errada e antinatural é porque é errada e antinatural! A vida só foi feita para dar lugar a vida por todo o caminho para a eternidade.

Não está certo, que as pessoas morram. Não está certo que o câncer e a velhice reivindiquem milhares de vidas por dia. Não está certo que as mães tenham abortos e que os bebês nasçam mortos. Nós nos tornamos acostumados com a morte, mas nunca foi intenção de Deus criá-la.

É correto pra você lamentar a morte, e como você se lamenta, deixe isso fluir além da morte específica de um ente querido. Sua alma deve clamar pela restauração completa do que a vida foi projetada para ser, no início, e o que vai ser na eternidade. “Ele enxugará toda lágrima de seus olhos e a morte já não existirá mais, nem haverá luto, nem pranto, nem dor, porque as primeiras coisas são passadas.” (Apocalipse 21: 4)

3. Você não está Sozinho na Morte

Eu acho que não há nenhuma outra experiência humana que faz você se sentir mais sozinho do que a morte. É verdade que ninguém realmente tenha passado por exatamente a mesma coisa que você está passando. Há tantos elementos únicos de seu relacionamento com essa pessoa falecida, que não pode ser replicado.

Dito isto, a morte é uma experiência universal. Sempre que estou em um funeral, me espanto ao pensar que quase todas as pessoas tenham ido, pelo menos, em um funeral antes. Assim, em momentos de tristeza, chegue ao corpo de Cristo, para consolo e conselho. Mesmo que não tenham tido o mesmo tipo de perda trágica, eles conhecem a Bíblia e podem falar a verdade do Evangelho para a sua alma.

Mas, ainda mais importante, Jesus tomou o nome de Emanuel, que significa “Deus conosco”. Na escuridão e na solidão de sua dor, você tem um poderoso irmão e amigo, que não só está ao seu lado e habita dentro de você, mas quem sabe exatamente o que você está enfrentando.

4. O Mal Sempre Parece Bom

A morte é uma coisa horrível e não natural e imprevisível, mas a Bíblia nos diz que a mais brilhante das coisas boas podem ser encontradas no meio de momentos mais sombrios do mal. A Cruz é o melhor exemplo de que - a melhor coisa que poderia acontecer era o resultado da pior coisa que já aconteceu.

Pedro disse que “Jesus ... [foi] crucificado e morto pelas mãos de iníquos.” (Atos 2:23) Devemos estar indignado com a execução ilegal da única pessoa boa que já viveu, mas Pedro continua dizendo que este momento foi ordenado por Deus para a sua glória e o nosso bem.

Da mesma forma, a morte e a perda trágica podem ser para a glória de Deus e para o nosso bem. Pode parecer impossível ver no momento, mas Deus pode trazer coisas maravilhosas deste momento sombrio. (Veja também Gênesis 50:20 - “vós, na verdade, intentastes o mal contra mim; porém Deus o tornou em bem, para fazer, como vedes agora, que se conserve muita gente em vida.”)

Paul Tripp é pastor, autor e palestrante de conferências internacional. Ele é o presidente do Paul Tripp Ministries e trabalha para conectar o poder transformador de Jesus Cristo à vida cotidiana. Essa visão levou Paul a escrever 13 livros sobre a vida cristã e a viajar ao redor do mundo pregando e ensinando. A paixão que conduz Paul é ajudar as pessoas a entender como o evangelho de Jesus Cristo fala de esperança prática na vida cotidiana. Seu último livro é o Dangerous Calling: Confronting the Unique Challenges of Pastoral Ministry (Crossway, 2012).

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