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Importa Quem Escreve as Músicas que Cantamos?( Bob Kauflin)

Ty enviou esta pergunta:

Um monte de gente em nossa igreja gosta da canção “Your Grace is Enough”(Sua Graça me Basta), a qual creio que foi co-escrita por Matt Maher e Chris Tomlin. Fiz algumas pesquisas sobre Matt Maher e descobri que ele é um cantor Católico bem conhecido. Há quem diga que se uma canção foi escrita por alguém que é católico, ela não deveria ser cantada. Como devemos refletir numa situação como esta?

Antes de compartilhar meus pensamentos, queria abordar a pergunta: “É possível ser um Cristão genuíno e um Católico Romano, ao mesmo tempo?” Creio que sim, apesar de inúmeras doutrinas da Igreja Católica serem conflitantes com as Escrituras, tais como o purgatório, as indulgências, e a salvação pela fé e pelas obras. Conheço Católicos que colocaram sua confiança completamente no sacrifício substitutivo de Cristo para o perdão dos seus pecados. Ao meu entender, eles são verdadeiramente nascidos de novo.

Mas isso não responde a pergunta. Como devemos refletir sobre usar canções escritas por pessoas que possuem crenças contrárias às que acreditamos que a Bíblia ensina? Não creio que hajam regras rígidas nesta área. Mas aqui vão alguns pensamentos.

O conteúdo imediato é o que mais importa. Saber quem escreveu uma canção não deveria torná-la melhor ou pior. Devo primeiramente avaliar o mérito de uma canção baseado só na letra dela, sem qualquer explicação, porque esta é a forma como a maioria das pessoas vai cantar e ouvir esta música.

As associações são importantes. Apesar do conteúdo da música ser o mais importante, nem sempre cantamos as músicas fora de um contexto. Quero ser cuidadoso ao introduzir uma canção que pode ser boa em si mesma, mas que possa levar as pessoas a ficarem expostas a um ministério, artista, ou igreja sobre os quais não me entusiamo. Visto que “Your Grace is Enough” é muito mais conhecida por causa de Chris Tomlin, não tenho problema com isto.

As associações podem mudar ao longo do tempo. Igrejas cantam hoje canções que foram escritas pelos Católicos Romanos, Unitário-Universalistas, e outros que tinham convicções teológicas com as quais podemos não concordar. Mas pelo fato da música estar desconectada de suas origens, ninguém sabe.

Os compositores muitas vezes revelam seus preconceitos teológicos. Se sei que uma canção foi escrita por alguém sobre cuja ortodoxia eu tenha dúvidas, devo examinar o seu conteúdo com o maior cuidado. As canções de Católicos, algumas vezes, apresentam uma visão da graça que não é muito clara, ou com demasiado foco no resultado da graça e pouca ênfase na justificação pela fé. Noto que muitas vezes o problema é o que a música subtende, ao invés do que ela realmente diz. Por exemplo, “It Came Upon a Midnight Clear” foi escrita por Edmund Sears, um ministro Unitário do século 19. Apesar dela ter uma bela melodia, e carregar conotações poderosas, não é muito clara sobre o significado do nascimento de Cristo.

Resumindo, se creio que cantar uma música fará com que minha igreja seja exposta a uma influência inútil, vou deixar de cantá-la. Se creio que isso não vá acontecer, e as letras são sólidas, vou cantá-la.



Bob Kauflin é pastor, compositor, líder de louvor e autor com mais de 35 anos de experiência. Após servir como pastor no Sovereign Grace Ministries por doze anos, ele assumiu a função de diretor da Sovereign Grace Music em 1997. Através de conferências, seminários e de seu blog, www.worshipmatters.com, ele busca equipar pastores, músicos e compositores em teologia e prática de louvor congregacional. Ele é atualmente um dos pastores da Sovereign Grace Church em Louisville, Kentucky, dirigida por C.J. Mahaney.

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