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O Custo do Discipulado I – (Jonas Madureira)


O que é custo? 

Quando falamos sobre “custo”, pressupomos que se trata de uma reflexão de uma decisão que precisamos tomar na vida. Nós precisamos refletir sobre nossas decisões espirituais, pois elas terão consequências futuras. Assim, o custo não diz respeito só a coisas materiais, mas também com relação com Deus

O que é discipulado? 

Podemos falar de dois sentidos: (1) o ato de seguir Jesus e (2) o ato de ajudar outros a seguirem Jesus. Porém, pessoas que não seguem Jesus não podem ajudar outros a seguirem a Jesus. Há custo tanto para seguir a Jesus quanto para ajudar outros a seguirem a Jesus.

Nesta mensagem, desejo trabalhar o primeiro sentido através do texto de Lucas 14.25-35:

Lucas 14.25-35: 25 Grandes multidões o acompanhavam, e ele, voltando-se, lhes disse: 26 Se alguém vem a mim e não aborrece a seu pai, e mãe, e mulher, e filhos, e irmãos, e irmãs e ainda a sua própria vida, não pode ser meu discípulo. 27 E qualquer que não tomar a sua cruz e vier após mim não pode ser meu discípulo. 28 Pois qual de vós, pretendendo construir uma torre, não se assenta primeiro para calcular a despesa e verificar se tem os meios para a concluir? 29 Para não suceder que, tendo lançado os alicerces e não a podendo acabar, todos os que a virem zombem dele, 30 dizendo: Este homem começou a construir e não pôde acabar. 31 Ou qual é o rei que, indo para combater outro rei, não se assenta primeiro para calcular se com dez mil homens poderá enfrentar o que vem contra ele com vinte mil? 32 Caso contrário, estando o outro ainda longe, envia-lhe uma embaixada, pedindo condições de paz. 33 Assim, pois, todo aquele que dentre vós não renuncia a tudo quanto tem não pode ser meu discípulo. 34 O sal é certamente bom; caso, porém, se torne insípido, como restaurar-lhe o sabor? 35 Nem presta para a terra, nem mesmo para o monturo; lançam-no fora. Quem tem ouvidos para ouvir, ouça.

Jesus dá esse discurso a “grandes multidões que o acompanhavam” (v. 25). O relato de Lucas muda o foco do confronto de Cristo com os líderes religioso para as multidões que queriam viver um cristianismo anônimo, genérico, sem preço a pagar. Era uma multidão, uma massa de pessoas sem nome e identidade – os “isentões”. Eles seguiam a Jesus “sem compromisso”. A multidão é algo atrativo para o descompromissado, pois não é necessário prestar contas. Ele pode interagir sem se engajar, como pessoas que só querem ir ao culto, sem serem notadas.

Amado, saiba que Jesus não quer o seu conforto. O seu conforto é suicídio, é sua tentativa de seguir a Cristo nos seus termos e não nos dele.

A essa multidão, Jesus fala sobre o que significava segui-lo de verdade e não somente acompanhar a multidão sem se posicionar. Todas as indicações que Jesus dá neste discurso de “quem não pode ser meu discípulo” vem com condições. Jesus coloca três condições que essa multidão precisa ouvir:

1) Os termos do discipulado

Discipulado não é Jesus se encaixar na sua vida e nos seus planos, mas você se encaixar na vida, nos planos e nas exigências de Jesus.

A primeira demanda – a demanda do amor: Jesus diz que quem não o ama mais que sua família não pode ser seu discípulo. O discipulado exige que amemos Jesus mais que um entre outros homens, mas como Deus. O discipulado significa dizer que Jesus tem a primazia.

A segunda demanda – a demanda do sofrimento: Jesus exige certo tipo de sofrimento: tomar sua cruz e seguir. Esses sofrimento vem por causa do nosso amor primordial por Cristo, pela reação do mundo contra isso.

A terceira demanda – a demanda do desapego: Jesus exige desapego, tendo Jesus como o tesouro de maior valor que temos.

Seguir a Jesus é submeter-se ao seu senhoria, aceitando o sofrimento que recebemos por causa do evangelho como dádiva, entendendo que Cristo é o único vínculo que precisamos para sermos quem nós realmente somos.


Jonas Madureira é bacharel em teologia pelo Betel Brasileiro e pela Universidade Presbiteriana Mackenzie; bacharel e mestre em filosofia pela PUC-SP e doutorando em filosofia pela USP e Universidade de Colônia, na Alemanha. É professor de filosofia e teologia sistemática na Faculdade Teológica Batista de São Paulo, no Servo de Cristo e no Seminário Martin Bucer. Autor do livro "Filosofia" do Curso Vida Nova de Teologia básica.


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