Na primeira mensagem, falamos do custo do discipulado como o ato de seguir a Jesus. Agora, vamos tratar sobre o custo de ensinar os outros a seguirem a Jesus. Quero falar sobre três evidências das marcas de que estamos conscientes do custo que nos é exigido ao ensinarmos outros a seguirem a Jesus.
O texto de Atos fala sobre Pedro sendo perseguido por causa de Cristo. Este trecho contrasta com o relato de Marcos quando Jesus diz que Pedro o negaria. Pedro, cheio de si, afirma que Jesus devia estar enganado. A primeira reação de uma pessoa que não conhece a si mesmo é que ela é capaz de confiar mais em si mesmo do que em Deus. Ela não consegue suspeitar de si mesmo, então duvida até de Deus.
Pedro tem falta de consciência do custo do discipulado, prometendo coisas que não é capaz de cumprir. E ele certamente se encontra depois com a dolorida realidade da sua autoenganação ao negar a Cristo. Porém, deve-se ir até o fim desta dor da insuficiência para sairmos da multidão anônima para o discipulado.
Em Atos 4, vemos Pedro não mais como negador, mas como sofredor pelo nome de Cristo. A mesma oposição da liderança que era contra Cristo (v. 1, 6) agora estava contra os apóstolos. As autoridades de Israel estavam incomodadas com o ensino e o milagre realizado através de Pedro e João – milagre que testificava da ressurreição de Cristo.
Pedro em seu discurso revela que, agora, ele têm ciência do custo de seguir a Jesus e de ensinar outros a seguirem a Jesus.
1ª evidência: fidelidade
A primeira evidência de que alguém entendeu o custo de ensinar outros a seguirem Jesus é a fidelidade. Mas que tipo de fidelidade? Fidelidade em ensinar o evangelho todo e não somente a parte interessante para um grupo. Pedro não editou sua mensagem, antes repete diante das autoridades exatamente o mesmo discurso que ele tinha falado antes. Ele não adulterou a mensagem do evangelho.
Isso se mostra de duas maneias. Primeiro, ele não edita o evangelho, removendo aquilo que ofende as pessoas por medo das consequências. Um segundo aspecto da fidelidade é não acrescentar algo ao evangelho puro e simples.
Muitas vezes se tenta adicionar algo ao evangelho para torná-lo atrativo, como estratégia missionária, porém isso não é outra coisa a não ser infidelidade e pecado. Quando não cremos no poder da Palavra de unir e atrair as pessoas, recorremos a programas baseados em similaridades, deixando assim de exibir a beleza da diversidade que o evangelho traz.
O apóstolo também prega o mesmo evangelho. Ele não precisa de outro evangelho para uma nova situação. O discípulo fiel não fica se incomoda de repetir o mesmo evangelho. Ele não precisa ficar inventando novos evangelho para tratar dos velhos problemas dos homens.
A fidelidade do discípulo é evidenciada por não remover ou adicionar algo à mensagem do evangelho, mas repeti-lo fielmente.
2º evidência: coragem
Após o discurso de Pedro, as autoridade admiram-se da coragem de Pedro, sabendo que eram iletrados e incultos. Vemos, então, que a tolice não tem a ver com informação e educação, mas com o pecado em cada ser humano. A tolice das autoridades é revelada no fato do coxo curado estar em pé diante deles. A tolice do pecado leva o homem a negar as claras evidências do evangelho.
3ª evidência: obediência
A fidelidade de Pedro vem não por ele não ter mais temor, mas temer mais a Deus do que a homens. O ensino do evangelho precisa ser acompanhado pelo temor do Senhor. Não um temor pois deseja ganhar algo de Deus, mas porque já ganhou. Um temor e uma obediência que flui da gratidão.
Jonas Madureira é bacharel em teologia pelo Betel Brasileiro e pela Universidade Presbiteriana Mackenzie; bacharel e mestre em filosofia pela PUC-SP e doutorando em filosofia pela USP e Universidade de Colônia, na Alemanha. É professor de filosofia e teologia sistemática na Faculdade Teológica Batista de São Paulo, no Servo de Cristo e no Seminário Martin Bucer. Autor do livro "Filosofia" do Curso Vida Nova de Teologia básica.

Comentários
Postar um comentário