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A centralidade de Cristo nas Escrituras (por Anderson Arruda)

Introdução

Examinais as Escrituras, porque vós cuidais ter nelas a vida eterna, e são elas que de mim testificam.  (João 5:39)
Essas são as palavras do senhor Jesus Cristo atestando que as Escrituras testificam dele próprio.
Havendo Deus, antigamente, falado, muitas vezes e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, a nós falou-nos, nestes últimos dias, pelo Filho, (Hb 1:1)

Várias são as formas de Deus se revelar ao homem: através da natureza, de consciência, da aparição de anjos, da Bíblia... Geralmente dividimos essas formas de revelações em “gerais” ou “especiais”. Dentre todas, a revelação mais completa chama-se Palavra Viva, o Logos de Deus, o Verbo encarnado: o Senhor Jesus Cristo. Semelhante a esta e de importância igual temos a Palavra escrita: a Bíblia Sagrada. Cristo e as Escrituras guardam uma relação intrínseca e indissolúvel quanto à realidade da manifestação de Deus ao homem.

Os estudiosos encontram várias citações, inferências, representações e tipologias de Cristo em toda a Bíblia Sagrada. No Novo Testamento elas são, na maioria das vezes, mais explícitas, basta lembrar que o nome “Jesus” aparece 612 vezes nos evangelhos e o nome “Cristo” 256 vezes no restante do NT. Outra forma de ver isso é observar que os 4 evangelhos (livros que narram a biografia de Jesus) compõem 46% do NT. Já no Antigo Testamento encontramos muito o uso de símbolos, tipologias e profecias sobre o Cristo que haveria de vir.

Várias figuras são usadas pelos escritores sagrados, sendo algumas interpretadas na própria Bíblia, como o cordeiro sacrificial, a serpente de bronze, Adão, o tabernáculo, etc. No entanto, nenhuma destas ocorre em toda a Bíblia, servindo ao seu propósito no seu contexto específico. Todas guardam semelhanças e particularidades com o Cordeiro de Deus sob uma certa ótica, um ângulo específico.
Nesta mensagem olharemos para alguns versículos que sob algum prisma nos ensinam sobre ou apontam para Cristo.

Desenvolvimento

E saía um rio do Éden para regar o jardim; e dali se dividia e se tornava em quatro braços.  (Gên 2:10) Se você quer ter um “paraíso”, vai precisar de um Rio para regá-lo e mantê-lo vivo.

E abriu-lhe Deus os olhos; e viu um poço de água, e foi-se, e encheu o odre de água, e deu de beber ao moço.  (Gên 21:19). Mais de 1000 anos depois, temos um homem chamado Abraão expulsando de casa sua concubina e filho: Agar e Ismael. Os dois se encontram em um deserto e prestes a morrer, Deus lhes mostra um poço de águas. Para você não morrer no deserto da vida, de suas desilusões, seus desacertos ou mesmo de seus acertos, para não morrer sozinho e sem Deus neste mundo, sem salvação, precisaremos achar um Poço: este mesmo Poço que salvou Agar e Ismael no deserto.

Toma a vara e ajunta a congregação, tu e Arão, teu irmão, e falai à rocha perante os seus olhos, e dará a sua água; assim, lhes tirarás água da rocha e darás a beber à congregação e aos seus animais.  (Núm. 20:8). Agora é a vez de Isaque, irmão de Ismael, através de sua descendência, o povo que foi tirado cativo do Egito, pelas mãos de Moisés, seu guia e líder, encarar um grande e pavoroso deserto: o deserto de Edom. Neste havia uma Pedra, rocha singular, eleita, não trabalhada por mãos de homens, pedra de esquina, angular, que segundo Paulo “seguia” o povo no deserto em sua jornada de peregrinação. Essa Pedra/Rocha não deixou o povo morrer de sede e quem estiver edificado sobre ela, alicerçado sobre a mesma, também não perecerá, nunca perecerá.

Há um rio cujas correntes alegram a cidade de Deus, o santuário das moradas do Altíssimo.  (Sl 46:4) A cidade divina não é alegre sem motivo, nem tampouco sua alegria é resultado de algo passageiro que se possa encontrar no mundo aqui debaixo. Sua alegria é resultante da passagem de um rio. Um rio que tem poder de tudo alegrar através de suas delícias. Dizia Jó que ao simples cheiro de suas correntes uma “árvore”, mesmo tendo esta sido cortada, queimada, decepada, dada como morta e destruída, poderia reviver. Tão grande é o poder destas águas. Outro salmista dizia que em sua presença havia “abundância, fartura de alegria”.

E os cantores e tocadores de instrumentos entoarão: Todas as minhas fontes estão em ti.  (Sl 87:7) A fonte da alegria, a fonte da paz, a fonte da segurança, a fonte da saúde, a fonte da amizade, a fonte da prosperidade, a fonte do perdão, a fonte da salvação, a fonte do poder, a fonte do auxílio dentre muitas outras! Mas isto também leva a outra conclusão: esta Fonte Suprema, por estar no centro de tudo, deve por sua vez ser também o centro de tudo nosso: nossa adoração, nossa devoção, nossa fé, nossa obediência, nossos sonhos e projetos, nossa vida em geral.

És a fonte dos jardins, poço das águas vivas, que correm do Líbano!  (Ct 4:15) Salomão conseguiu descobrir o grande segredo: ele encontrou a verdadeira Fonte dos jardins, o Poço das águas vivas! Qual não deve ter sido sua alegria. Todos que encontram este poço vibram com sua excelência. Certa vez disseram que Abraão também “o viu” e alegrou-se. É certo que se alegra com júbilo indizível todos que encontram essa Fonte. Se você ainda não a achou, não perca tempo: hoje pode ser o grande dia do seu encontro com ela.

Porquanto este povo desprezou as águas de Siloé que correm brandamente e com Rezim e com o filho de Remalias se alegrou, (Is 8:6) Vazão do Rio Amazonas: mais de 100 mil m3/s; vazão da fonte de Siloé: desprezível diante dessa. Peculiaridade: única fonte perene em Jerusalém.

Ó vós todos os que tendes sede, vinde às águas, e vós que não tendes dinheiro, vinde, comprai e comei; sim, vinde e comprai, sem dinheiro e sem preço, vinho e leite.  (Is 55:1) Profecia feita sobre alguém que poderia garantir o seu cumprimento. Independentemente de quem você é ou de qual é sua sede, venha às águas.

Porque o meu povo fez duas maldades: a mim me deixaram, o manancial de águas vivas, e cavaram cisternas, cisternas rotas, que não retêm as águas.  (Jr 2:13). Jamais faça uma maldade dessas com você mesmo: não troque o manancial das águas vivas por nenhuma mentira do diabo, pois ele não tem acesso a este manancial e quer privar você de tê-lo.

Depois disso, me fez voltar à entrada da casa, e eis que saíam umas águas de debaixo do umbral da casa, para o oriente; porque a face da casa olhava para o oriente, e as águas vinham de baixo, desde a banda direita da casa, da banda do sul do altar.  (Ez 47:1) E será que toda criatura vivente que vier por onde quer que entrarem esses dois ribeiros viverá, e haverá muitíssimo peixe; porque lá chegarão essas águas e sararão, e viverá tudo por onde quer que entrar esse ribeiro.  (Ez 47:9)

Naquele dia, também acontecerá que correrão de Jerusalém águas vivas, metade delas para o mar oriental, e metade delas até ao mar ocidental; no estio e no inverno, sucederá isso.  (Zc 14:8). Estava anunciado que em certo dia, correriam de Jerusalém as águas vivas.

E, no último dia, o grande dia da festa, Jesus pôs-se em pé e clamou, dizendo: Se alguém tem sede, que venha a mim e beba.  (Jo 7:37)

Quem crê em mim, como diz a Escritura, rios de água viva correrão do seu ventre.  (Jo 7:38)
E mostrou-me o rio puro da água da vida, claro como cristal, que procedia do trono de Deus e do Cordeiro.  (Ap 22:1)

Finalização

O qual é imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação; Porque nele foram criadas todas as coisas que há nos céus e na terra, visíveis e invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam potestades. Tudo foi criado por ele e para ele. E ele é antes de todas as coisas, e todas as coisas subsistem por ele. E ele é a cabeça do corpo, da igreja; é o princípio e o primogênito dentre os mortos, para que em tudo tenha a preeminência. Porque foi do agrado do Pai que toda a plenitude nele habitasse, E que, havendo por ele feito a paz pelo sangue da sua cruz, por meio dele reconciliasse consigo mesmo todas as coisas, tanto as que estão na terra, como as que estão nos céus. (Cl 1.15-20)

Jesus é o paradoxo de um Deus atemporal, alheio à linha do tempo que se materializa em um ponto específico da História para resgatar a criação caída.

De tornar a congregar em Cristo todas as coisas, na dispensação da plenitude dos tempos, tanto as que estão nos céus como as que estão na terra;(Ef 1.10)

É o vórtice no mundo físico e espiritual que a tudo traga e tudo completa em si mesmo.

Qual a finalidade de estudarmos sobre a centralidade de Cristo nas Escrituras?

Se observamos que Cristo é o centro, não somente das Escrituras - a revelação de Deus -, mas de toda a criação – física e celestial – a lógica nos compulsa a admiti-lo também como o centro de nossas próprias vidas.

E por que me chamais, Senhor, Senhor, e não fazeis o que eu digo? (Lc 6.46)

O mero reconhecimento do senhorio e da excelência de Cristo não é, em si próprio, fato satisfatório para Deus. Antes, podemos parafrasear o profeta:

Ele te declarou, ó homem, o que é bom; e que é o que o SENHOR pede de ti, senão que pratiques a justiça, e ames a benignidade, e andes humildemente com o teu Deus? (Mq 6.8)

Andar humildemente é submeter-se, obedecer, praticar o que Ele ensinou:

1. Amar o próximo: Ele nos deixou o undécimo mandamento. Um novo mandamento vos dou: Que vos ameis uns aos outros; como eu vos amei a vós, que também vós uns aos outros vos ameis.  (Jo 13.34). Amar com o mesmo amor de Cristo: altruísta, sacrificial.

2. Abandonar nossas próprias vontades e desejos: E dizia a todos: Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, e tome cada dia a sua cruz, e siga-me. (Lc 9.23). Uma vida de renúncia à própria vontade pecaminosa é a operação do processo santificador da obra de regeneração do Espírito Santo em nossas vidas.

3. Imitá-lO. Porque eu vos dei o exemplo, para que, como eu vos fiz, façais vós também. (Jo 13.15). Uma pessoa iracunda está imitando a Cristo? Uma pessoa explosiva pode ser chamada de cristão? Caso não imitemos, que também não usurpemos o seu nome como “cristão”, pois “quem comigo não ajunta, ESPALHA”.

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