Introdução
Examinais as
Escrituras, porque vós cuidais ter nelas a vida eterna, e são elas que de mim
testificam. (João 5:39)
Essas são as
palavras do senhor Jesus Cristo atestando que as Escrituras testificam dele
próprio.
Havendo Deus,
antigamente, falado, muitas vezes e de muitas maneiras, aos pais, pelos
profetas, a nós falou-nos, nestes últimos dias, pelo Filho, (Hb 1:1)
Várias são as
formas de Deus se revelar ao homem: através da natureza, de consciência, da
aparição de anjos, da Bíblia... Geralmente dividimos essas formas de revelações
em “gerais” ou “especiais”. Dentre todas, a revelação mais completa chama-se
Palavra Viva, o Logos de Deus, o Verbo encarnado: o Senhor Jesus Cristo. Semelhante
a esta e de importância igual temos a Palavra escrita: a Bíblia Sagrada. Cristo
e as Escrituras guardam uma relação intrínseca e indissolúvel quanto à
realidade da manifestação de Deus ao homem.
Os estudiosos
encontram várias citações, inferências, representações e tipologias de Cristo
em toda a Bíblia Sagrada. No Novo Testamento elas são, na maioria das vezes,
mais explícitas, basta lembrar que o nome “Jesus” aparece 612 vezes nos
evangelhos e o nome “Cristo” 256 vezes no restante do NT. Outra forma de ver
isso é observar que os 4 evangelhos (livros que narram a biografia de Jesus)
compõem 46% do NT. Já no Antigo Testamento encontramos muito o uso de símbolos,
tipologias e profecias sobre o Cristo que haveria de vir.
Várias figuras são
usadas pelos escritores sagrados, sendo algumas interpretadas na própria
Bíblia, como o cordeiro sacrificial, a serpente de bronze, Adão, o tabernáculo,
etc. No entanto, nenhuma destas ocorre em toda a Bíblia, servindo ao seu
propósito no seu contexto específico. Todas guardam semelhanças e
particularidades com o Cordeiro de Deus sob uma certa ótica, um ângulo
específico.
Nesta mensagem
olharemos para alguns versículos que sob algum prisma nos ensinam sobre ou
apontam para Cristo.
Desenvolvimento
E saía um rio do
Éden para regar o jardim; e dali se dividia e se tornava em quatro braços. (Gên 2:10) Se você quer ter um “paraíso”, vai
precisar de um Rio para regá-lo e mantê-lo vivo.
E abriu-lhe Deus
os olhos; e viu um poço de água, e foi-se, e encheu o odre de água, e deu de
beber ao moço. (Gên 21:19). Mais de 1000
anos depois, temos um homem chamado Abraão expulsando de casa sua concubina e
filho: Agar e Ismael. Os dois se encontram em um deserto e prestes a morrer,
Deus lhes mostra um poço de águas. Para você não morrer no deserto da vida, de
suas desilusões, seus desacertos ou mesmo de seus acertos, para não morrer
sozinho e sem Deus neste mundo, sem salvação, precisaremos achar um Poço: este
mesmo Poço que salvou Agar e Ismael no deserto.
Toma a vara e
ajunta a congregação, tu e Arão, teu irmão, e falai à rocha perante os seus
olhos, e dará a sua água; assim, lhes tirarás água da rocha e darás a beber à
congregação e aos seus animais. (Núm.
20:8). Agora é a vez de Isaque, irmão de Ismael, através de sua descendência, o
povo que foi tirado cativo do Egito, pelas mãos de Moisés, seu guia e líder,
encarar um grande e pavoroso deserto: o deserto de Edom. Neste havia uma Pedra,
rocha singular, eleita, não trabalhada por mãos de homens, pedra de esquina,
angular, que segundo Paulo “seguia” o povo no deserto em sua jornada de
peregrinação. Essa Pedra/Rocha não deixou o povo morrer de sede e quem estiver
edificado sobre ela, alicerçado sobre a mesma, também não perecerá, nunca
perecerá.
Há um rio cujas
correntes alegram a cidade de Deus, o santuário das moradas do Altíssimo. (Sl 46:4) A cidade divina não é alegre sem
motivo, nem tampouco sua alegria é resultado de algo passageiro que se possa
encontrar no mundo aqui debaixo. Sua alegria é resultante da passagem de um
rio. Um rio que tem poder de tudo alegrar através de suas delícias. Dizia Jó
que ao simples cheiro de suas correntes uma “árvore”, mesmo tendo esta sido
cortada, queimada, decepada, dada como morta e destruída, poderia reviver. Tão
grande é o poder destas águas. Outro salmista dizia que em sua presença havia
“abundância, fartura de alegria”.
E os cantores e
tocadores de instrumentos entoarão: Todas as minhas fontes estão em ti. (Sl 87:7) A fonte da alegria, a fonte da paz,
a fonte da segurança, a fonte da saúde, a fonte da amizade, a fonte da
prosperidade, a fonte do perdão, a fonte da salvação, a fonte do poder, a fonte
do auxílio dentre muitas outras! Mas isto também leva a outra conclusão: esta
Fonte Suprema, por estar no centro de tudo, deve por sua vez ser também o
centro de tudo nosso: nossa adoração, nossa devoção, nossa fé, nossa
obediência, nossos sonhos e projetos, nossa vida em geral.
És a fonte dos
jardins, poço das águas vivas, que correm do Líbano! (Ct 4:15) Salomão conseguiu descobrir o
grande segredo: ele encontrou a verdadeira Fonte dos jardins, o Poço das águas
vivas! Qual não deve ter sido sua alegria. Todos que encontram este poço vibram
com sua excelência. Certa vez disseram que Abraão também “o viu” e alegrou-se.
É certo que se alegra com júbilo indizível todos que encontram essa Fonte. Se
você ainda não a achou, não perca tempo: hoje pode ser o grande dia do seu
encontro com ela.
Porquanto este
povo desprezou as águas de Siloé que correm brandamente e com Rezim e com o
filho de Remalias se alegrou, (Is 8:6) Vazão do Rio Amazonas: mais de 100 mil m3/s;
vazão da fonte de Siloé: desprezível diante dessa. Peculiaridade: única fonte
perene em Jerusalém.
Ó vós todos os que
tendes sede, vinde às águas, e vós que não tendes dinheiro, vinde, comprai e
comei; sim, vinde e comprai, sem dinheiro e sem preço, vinho e leite. (Is 55:1) Profecia feita sobre alguém que
poderia garantir o seu cumprimento. Independentemente de quem você é ou de qual
é sua sede, venha às águas.
Porque o meu povo
fez duas maldades: a mim me deixaram, o manancial de águas vivas, e cavaram
cisternas, cisternas rotas, que não retêm as águas. (Jr 2:13). Jamais faça uma maldade dessas com
você mesmo: não troque o manancial das águas vivas por nenhuma mentira do
diabo, pois ele não tem acesso a este manancial e quer privar você de tê-lo.
Depois disso, me
fez voltar à entrada da casa, e eis que saíam umas águas de debaixo do umbral
da casa, para o oriente; porque a face da casa olhava para o oriente, e as
águas vinham de baixo, desde a banda direita da casa, da banda do sul do
altar. (Ez 47:1) E será que toda
criatura vivente que vier por onde quer que entrarem esses dois ribeiros
viverá, e haverá muitíssimo peixe; porque lá chegarão essas águas e sararão, e
viverá tudo por onde quer que entrar esse ribeiro. (Ez 47:9)
Naquele dia,
também acontecerá que correrão de Jerusalém águas vivas, metade delas para o
mar oriental, e metade delas até ao mar ocidental; no estio e no inverno, sucederá
isso. (Zc 14:8). Estava anunciado que em
certo dia, correriam de Jerusalém as águas vivas.
E, no último dia,
o grande dia da festa, Jesus pôs-se em pé e clamou, dizendo: Se alguém tem
sede, que venha a mim e beba. (Jo 7:37)
Quem crê em mim,
como diz a Escritura, rios de água viva correrão do seu ventre. (Jo 7:38)
E mostrou-me o rio
puro da água da vida, claro como cristal, que procedia do trono de Deus e do
Cordeiro. (Ap 22:1)
Finalização
O qual é imagem do Deus invisível, o
primogênito de toda a criação; Porque
nele foram criadas todas as coisas
que há nos céus e na terra, visíveis e invisíveis, sejam tronos, sejam
dominações, sejam principados, sejam potestades. Tudo foi criado por ele e para
ele. E ele é antes de todas as coisas, e todas as coisas subsistem por ele.
E ele é a cabeça do corpo, da igreja; é o princípio e o primogênito dentre os mortos, para que em tudo tenha a
preeminência. Porque foi do agrado do Pai que toda a plenitude nele
habitasse, E que, havendo por ele
feito a paz pelo sangue da sua cruz, por meio dele reconciliasse consigo mesmo
todas as coisas, tanto as que estão na terra, como as que estão nos céus. (Cl 1.15-20)
Jesus é o paradoxo
de um Deus atemporal, alheio à linha do tempo que se materializa em um ponto
específico da História para resgatar a criação caída.
De tornar a
congregar em Cristo todas as coisas,
na dispensação da plenitude dos tempos, tanto as que estão nos céus como as que estão
na terra;(Ef 1.10)
É o vórtice no
mundo físico e espiritual que a tudo traga e tudo completa em si mesmo.
Qual a finalidade
de estudarmos sobre a centralidade de Cristo nas Escrituras?
Se observamos que
Cristo é o centro, não somente das Escrituras - a revelação de Deus -, mas de
toda a criação – física e celestial – a lógica nos compulsa a admiti-lo também
como o centro de nossas próprias vidas.
E por que me
chamais, Senhor, Senhor, e não fazeis o que eu digo? (Lc 6.46)
O mero
reconhecimento do senhorio e da excelência de Cristo não é, em si próprio, fato
satisfatório para Deus. Antes, podemos parafrasear o profeta:
Ele te declarou, ó
homem, o que é bom; e que é o que o
SENHOR pede de ti, senão que pratiques a justiça, e ames a benignidade, e andes
humildemente com o teu Deus? (Mq 6.8)
Andar humildemente
é submeter-se, obedecer, praticar o que Ele ensinou:
1. Amar o próximo:
Ele nos deixou o undécimo mandamento. Um novo mandamento vos dou: Que vos ameis
uns aos outros; como eu vos amei a vós, que também vós uns aos outros vos
ameis. (Jo 13.34). Amar com o mesmo amor
de Cristo: altruísta, sacrificial.
2. Abandonar
nossas próprias vontades e desejos: E dizia a todos: Se alguém quer vir após
mim, negue-se a si mesmo, e tome cada dia a sua cruz, e siga-me. (Lc 9.23). Uma
vida de renúncia à própria vontade pecaminosa é a operação do processo
santificador da obra de regeneração do Espírito Santo em nossas vidas.
3. Imitá-lO. Porque
eu vos dei o exemplo, para que, como eu vos fiz, façais vós também. (Jo 13.15).
Uma pessoa iracunda está imitando a Cristo? Uma pessoa explosiva pode ser chamada
de cristão? Caso não imitemos, que também não usurpemos o seu nome como
“cristão”, pois “quem comigo não ajunta, ESPALHA”.
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