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A cessação do Cessacionismo (por Sam Storms)



Houve um tempo em minha vida em que escrever este livro seria algo impossível. Durante os primeiros quinze anos do meu ministério, fui um cessacionista. Esse termo se refere a alguém que crê que os chamados dons milagrosos do Espírito Santo cessaram no primeiro século. A alegação de que os dons de profecia, falar em línguas, cura, milagres, palavra de sabedoria, palavra de co nhecimento e discernimento de espíritos cessaram é uma visão abraçada por muitos integrantes da comunidade evangélica.
 É importante que você saiba que eu não rejeitei o cessacionismo porque testemunhei um milagre (embora saiba que para algumas pessoas que me conheciam naquela época, minha mudança de paradigma teológico poderia por si só ser chamada de um milagre!). Rejeitei o cessacionismo porque, na solidão e na segurança do meu gabinete, convenci-me de que a Bíblia não ensinava isso. O propósito deste livro não é descrever minha jornada teológica pessoal, nem apresentar uma defesa da validade de todos os dons espirituais divinos nos dias de hoje. Existem vários livros que fazem um trabalho admirável nessa área, se é disso que você precisa.
 Permita-me, porém, compartilhar uma percepção crítica. Talvez a parte mais dolorosa dessa mudança teológica específica tenha sido descobrir a razão primordial pela qual durante muito tempo resisti aos dons do Espírito em sua plenitude. Além dos argumentos bíblicos aos quais recorri, para ser bastante franco, eu ficava envergonhado pela aparência e pelo comportamento em público de muitos daqueles associados a dons espirituais. Eu não gostava da maneira como se vestiam. Não gostava do jeito como falavam. Eu ficava ofendido por sua falta de sofisticação e por sua extravagância arrogante. Ficava perturbado com sua falta de consideração desrespeitosa pela precisão teológica e com suas demonstrações excessivas de exuberância emocional.
Minha oposição aos dons espirituais também era alimentada pelo medo — medo do emocionalismo, medo do fanatismo, medo do desconhecido; medo de ser rejeitado por aqueles cujo respeito eu prezava e cuja amizade eu não desejava perder; medo
do que poderia acontecer se eu entregasse totalmente o controle da minha vida, mente e emoções ao Espírito Santo; medo de perder qualquer pequeno statusconquistado na comunidade evangélica por meio do meu trabalho.
 Estou falando do tipo de medo que estimulava uma agenda pessoal que me afastava de tudo que pudesse associar o meu nome ao de pessoas que, segundo eu cria, eram um constrangimento à causa de Cristo. Eu era fiel ao décimo primeiro mandamento do evangelicalismo bibliocêntrico: “Não farás o que os outros fazem inadequadamente.” Em minha soberba, permitira que certos extremistas exercessem mais influência sobre a forma do meu ministério do que o texto das Escrituras. O medo de ser rotulado, conectado ou associado de alguma maneira aos elementos “incultos” e “pouco atraentes” da cristandade contemporânea exerceu um poder insidioso sobre minha capacidade e disposição de ser objetivo na leitura da Bíblia Sagrada. Não sou tão ingênuo a ponto de pensar que minha compreensão da Bíblia agora está livre de influências subjetivas! Mas estou confiante de que pelo menos
esse tipo de medo não é mais uma influência.
 A propósito, se tudo isso soar para você como a arrogância e a hipocrisia próprias de uma pessoa para quem “estar certo” era a coisa mais importante do mundo, você acertou.

- por Sam Storms
Livro:
DONS ESPIRITUAIS - um introdução bíblica, teológica e pastoral. 

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